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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Modigliani e a Escola de Paris
























Chaim Soutine,Carcass of Beef

Houve nas quatro primeiras décadas do século XX, uma convergência para a cidade de Paris, de individualidades artísticas que não se filiaram a nenhuma escola. De características heterogêneas e origens as mais diversas. Aceitaram-se uns aos outros mas foram rejeitados pela sociedade. Esse grupo “sui generis” foi chamado Escola de Paris. Fizeram parte desse grupo o italiano Amadeo Modigliani (1884-1920), o búlgaro Jules Pascin (Julius Mordecai Pincas) (1885-1930; o russo Marc Chagall (1887-1985); o polaco-francês Moise Kisling (1891-1953); e o lituano Chaim Soutine (1884-1943).
Amedeo Modigliani (1884-1920)- Nasceu na Itália, mas viveu e identificou-se com o espírito francês. Com uma enorme capacidade de esti1ização, criou um mundo de sifilíticos e tuberculosos - gente magra, amarela, verde - em seus retratos, dotados de uma imensa espiritualidade. Teve grande influência da obra de Cézanne e da arte negra.
Chaïm Soutine (1893-1943). Foi um pintor expressionista da Escola de Paris. Nascido em uma pequena aldeia lituana, pertencente naquele momento ao Império Russo, Soutine era o décimo filho de uma família de onze irmãos. Seu pai era alfaiate e não viu com bons olhos o interesse de Chaim por arte, visto que, dentro da comunidade judia ortodoxa onde viviam, estava proibida a representação de imagens. Em 1909 se mudou para Minsk, onde recebeu suas primeiras lições artísticas. No ano seguinte preparou-se para o ingresso na Escola de Belas Artes de Vilnius. Em 1913, finalizados seus estudos em Vilnius, se mudou para Paris, estabelecendo-se em Montparnasse, junto a outros artistas. Foram tempos difíceis, em que Soutine vivia em condições precárias, no entanto foi capaz de prosseguir os seus estudos na École des Beaux-Arts, "Escola de Belas Artes" de Paris, sob os ditames do artista Fernand Cormon. Foi nessa época que conheceu Modigliani, de quem se tornou amigo, servindo como modelo para diversos retratos feitos pelo pintor italiano.
Em 1923 o colecionador norte-americano Albert Coombs Barnes comprou um grande número de obras do pintor, como isso sua condição financeira melhorou bastante. Em 1927 realizou sua primeira exposição na galeria de Henri Bing, assim introduzindo-se plenamente no mercado das artes. Em 1937, algumas de suas obras foram incluídas na Exposição de Artistas Independentes, honra raramente concedida na França a um pintor estrangeiro. O início da Segunda Guerra Mundial significou o início do seu declínio, especialmente quando a cidade foi invadida pelas tropas nazistas, visto que Soutine era oficialmente um judeu, optou por ficar longe de Paris, refugiando-se em uma pequena cidade perto de Tours. A angústia de uma possível denúncia agravou-lhe os problemas de saúde que tinha e, finalmente, em 1943, sofreu um ataque de úlcera, que perfurou-lhe o estômago e forçou-o a uma cirurgia de emergência. Chaim Soutine morreu na mesa de operações e foi sepultado no Cemitério do Montparnasse.
Sua produção foi muito influenciada por artistas como Cézanne, Rembrandt e El Greco, e pode ser definida como expressionista. Pintava de forma delirante, como possuído por um ataque febril, precipitando as cores na tela, seus quadros apresentam uma textura pastosa e apresentam grande força cromática. Foi comparado com o grande mestre pós-impressionista Van Gogh, cuja obra Soutine admirava, e artistas da época o comparavam com Kokoschka na capacidade de captar tipos psicológicos em seus retratos. Nunca foi capaz de pintar senão com um modelo à sua frente. Soutine horrorizou seus vizinhos certa vez, por manter uma carcaça de animal em seu estúdio, para que pudesse pintá-la (Carcass of Beef). O fedor fez com que os vizinhos chamassem a polícia, a quem Soutine prontamente dissertou sobre a importância relativa da arte acima da higiene.
Chaim Soutine chegou a Paris em 1913, onde viveu humildemente em um círculo de outros artistas imigrantes judeus, como Chagall, Lipchitz e Kisling.































Modigliani, Retrato de Chaim Soutine

Modigliani (1884 - 1920)







Amedeo Clemente Modigliani nasceu na região da Toscana, na cidade de Livorno, em 12 de julho de 1884, de família judaica, sendo o quarto e último filho de Flaminio Modigliani. Ainda menino demonstrava interesse pela pintura, no que foi incentivado por sua mãe, Eugenia Garsin, com quem visitava museus de arte e que o matriculou, como aluno, no estúdio de Guglielmo Micheli. Na infância, sofreu de tifo, uma doença transmitida por piolhos, o que comprometeu sua saúde pelo resto da vida - mas cujo tratamento forçava-o a constantes viagens e grande intercâmbio cultural até a mudança definitiva a Paris, em 1906.
Como outros pintores e artistas, viveu a experiência da extrema pobreza. Por meio dos companheiros de arte, conheceu o poeta polaco Leopold Zborowski, que se tornaria seu melhor e mais devotado amigo, além de incentivador e marchand. Em 1917, Zborowski consegue para Modigliani uma exposição individual na galeria Weil. A exposição durou apenas um dia, pois se transformou num escândalo devido aos nus expostos na vitrine da galeria. Retratado no filme, mas sem mostrar os quadros, apenas a confusão onde a polícia veio com Picasso, que foi seu grande rival. A grande musa de Modigliani foi Jeanne Hébuterne, com quem teve uma filha, Jeanne, em 1918.
Complicações na saúde fazem o pintor viajar para o sul da França com a esposa e a filha, a fim de recuperar-se. Retorna a Paris ao final de 1918. Na noite de 24 de janeiro de 1920, aos 36 anos, Modigliani morre de tuberculose, agravada pelo consumo excessivo de álcool e drogas (haxixe). Foi sepultado no célebre Cemitério do Père-Lachaise.
No dia seguinte à morte do pintor, sua esposa Jeanne, grávida de nove meses, suicidou-se ao atirar-se do quinto andar de um edifício.
O encontro com o escultor Constantin Brancusi marcou a carreira de Modigliani, que, por um longo período, abandonou a pintura pela escultura. Impressionado pelo cubismo, muito influenciado por Cézanne, Toulouse-Lautrec e Pablo Picasso, o artista executou nesse período esculturas nas quais se misturam influências da escola de Siena e da arte da África negra, sobretudo das esculturas do Congo e do Gabão.
Os temas preferidos de Modigliani foram, a partir de então, os retratos e os nus femininos com modelos que, segundo o artista, expressavam "a muda aceitação da vida". Com o raro dom de conseguir uma imediata empatia entre seus retratos e o observador, dotou suas figuras de uma sensualidade que se transmite não pela nudez, mas pelo movimento e pelo alongamento dos traços.
Essa breve fase final do artista foi a mais importante de sua obra, caracterizada por um despojamento que alguns críticos creditaram a sua inclinação para a escultura. Modigliani morreu em Paris, em 24 de janeiro de 1920.
Fruto de diversas culturas, amigo de tantos artistas e encontrando-se numa conturbada fase de questionamentos e transições, sua obra entretanto não pode ser considerada filiada a nenhum dos estilos, dotada toda ela de um estilo próprio e autônomo.

A biografia do filme foca os últimos anos da vida de Modigliani, mostrando seu vício pela bebida, suas lembranças da infância discriminada por ser judeu, sua participação em um concurso local, onde consegue ganhar de Pablo Picasso e Diego Rivera. No filme, morre sem saber o resultado do concurso. A relação com os amigos - principalmente a relação intrigante de amor e ódio que ele desenvolve com Picasso, o drama da conquista da guarda de sua filha, enfim, seus altos e baixos. Não há um fato central no filme, tudo foi muito bem encaixado em volta da paixão de Modigliani pela vida e pela arte, mas com o cuidado de não se criar uma obra sem nexo.
Uma de suas obras - Libellés

Sua musa e mulher, Jeanne Hébuteme